O que fazer em Bolonha: guia completo para sua viagem

Bolonha é uma das cidades mais apaixonantes que eu já conheci. Morei na cidade por seis meses e não poderia ter ficado mais satisfeita com a escolha. As pessoas costumam usar Bolonha como uma cidade base para conhecer o norte da Itália (já falamos disso aqui) e passam um ou dois dias apenas. Se você também pretende aproveitar seu tempo na Itália conhecendo esta incrível cidade, então vem com a gente e descubra o que fazer em Bolonha!

O centro turístico pode ser facilmente conhecido em dois dias ou até mesmo em um dia, dependendo da sua disposição. Para quem já morou na cidade, é um pouco difícil escrever apenas sobre o que fazer em Bolonha em um ou dois dias. Mas é isso que proponho com este post. Morar em uma cidade sempre trás uma visão muito diferente da de um turista. Especialmente em uma cidade tão especial como Bolonha!

Saiba mais: Bolonha: cidade base para conhecer o norte da Itália.

Uma breve história de Bolonha

Bolonha é uma cidade super antiga. Os primeiros registros oficiais são do povo etrusco por volta de 510 a.C, mas acredita-se que as primeiras fundações sejam alguns séculos mais antigas. Os etruscos foram uma população que existiu antes do romanos. Isso ajuda a dar uma dimensão da antiguidade da cidade. Por volta do século II a.C, Bolonha já era uma colônia romana. Com a queda do Império Romano, se tornou parte do Império Bizantino e, nesta época, pertencia à cidade de Ravena.

Apenas por volta do século XII que Bolonha se manteve como uma cidade independente. No entando, em 1506, passou a ser dominada pelo Papa e de 1796 a 1815, pertenceu ao domínio de Napoleão Bonaparte. Entre 1815 e 1859 fez parte dos Estados Papais. No período da Segunda Guerra Mundial, Bolonha foi severamente bombardeada. Quando a guerra acabou, se tornou o centro comunista da Itália. Até hoje – talvez pela presença da Universidade de Bolonha – a cidade é mais voltada para a esquerda política.

A Universidade de Bolonha (Università di Bologna) é considerada a mais antiga da Europa e do ocidente. Ela foi fundada em 1088 e é mais velha que universidades como a Universidade de Oxford e a Universidade de Cambridge, na Inglaterra. A Unibo, como a chamamos, é a universidade mais antiga do mundo ainda em funcionamento. Foi lá que deram aula poetas italianos famosos, como  Dante Alighieri, Boccaccio e Petrarca. Foi também a primeira a usar o termo “universidade” para definir um espaço de estudantes.

Universidade de Bolonha.

La grassa, la dotta, la rossa

Bolonha tem vários atributos. É uma cidade famosa e importante. Entre os italianos, é conhecida como la grassa, la dotta, la rossa ou a gorda, a culta, a vermelha.

La grassa (a gorda)

A cidade é conhecida como la grassa, ou a gorda, por ser um dos mais importantes pontos culinários do norte da Itália. Aqui come-se muito bem, obrigada. Vários pratos típicos italianos foram inventados em Bolonha. O mais famoso deles é o espaguete à bolonhesa. Mas pera aí. Você sabia que não é este o nome do prato e que ele não tem nada a ver com o que fazemos aqui no Brasil?

Em Bolonha este prato é o Tagliatelle Al Ragú. Outra massa, outro molho, outra receita. Pode ser até ofensivo ficar procurando um espaguete à bolonhesa. Eles sabem dessa receita que circula mundo a fora e sabem que não vamos encontrá-la na Itália – exceto em restaurantes muito pega-turista.

Tagliatelle Al Ragú regrado a vinho da casa, na Osteria dell”Orsa.

Outro prato famoso, delicioso e tipicamente de Bolonha é o Tortellini in Brodo. A primeira vez que experimentei, achei que tinha cara de sopa que tomamos quando estamos doentes. Mas é maravilhoso, claro. O Tortelloni bolognese também é saborosíssimo.

Tortellini in Brodo. Foto: Pug Girl/Flickr.

Molhos al ragú ou sálvia e burro são sempre um boa pedida regional. Queijo parmesão (parmigiano reggiano) e presunto de Parma (prosciutto crudo di Parma) também são fáceis de encontrar em Bolonha, já que são típicos da cidade de Parma, que fica bem perto de Bolonha.

Tem uma região em Bolonha, bem ao lado da Piazza Maggiore, que é conhecida como Quadrilátero. É um conjunto de ruas cheias de restaurantes, mercados, feiras ao ar livre ou cobertas. São as famosas Via Rizzoli, Piazza della Mercanzia, Via Castiglione, Via Farini, Piazza Galvani e Via dell’Archiginnasio. Aproveite para conhecer o Mercado de Bolonha e a Eataly. Duas boas opções para comer e comprar ingredientes para cozinhar ou levar para o Brasil.

Por falar em levar para o Brasil, sugiro também que você passe na Fratelli Carli, que tem aceto de vinho, aceto balsâmico e outras delícias culinárias.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Ou seja: em Bolonha, como eu já disse, come-se muito bem! Então anote esses pratos e experimente tudo enquanto estiver lá!

La dotta (a culta)

La dotta, ou a culta, dispensa muitas apresentações. Bolonha é sede principal da universidade mais antiga do mundo ainda em funcionamento. Foi revolucionária no campo da educação universitária. A universidade fica um pouco espalhada pela famosa Via Zamboni. Caminhe por lá e veja a vida universitária ativa em uma das ruas mais importantes da cidade.

Universidade de Bolonha – Piazza Verdi.

Por ser uma cidade universitária, em Bolonha, você encontra muitos lugares para comer o famoso aperitivo italiano. Ele funciona da seguinte maneira: você vai até um bar no horário de happy hour e pede uma bebida. O bar disponibiliza uma mesa cheia de comida para todos que estão lá. Você pode comer a vontade pagando apenas o valor da bebida! Não costuma ser a comida mais gostosa do mundo, mas ainda assim é muito boa e quase de graça!

Aperitivos.

Lembrando que por ser uma cidade universitária, durante as férias a cidade fica um pouco parada. Agosto em especial, quando quase todo o país entra de férias.

La rossa (a vermelha)

Por fim, o último apelido de Bolonha. Os italianos a chamam de a vermelha devido ao tom avermelhado das construções. A primeira vista, pode parecer que Bolonha segue o mesmo tipo de construção do resto da Itália, mas você vai ver que Bolonha é realmente a vermelhinha do país.

La rossa.

Os pórticos de Bolonha

Não tem como falar da arquitetura da cidade sem mencionar os pórticos. Bolonha tem o segundo centro histórico mais conservado da Europa. Deveria ter mais um apelido junto desses três: a cidade dos pórticos. A UNESCO ainda está avaliando os pórticos para serem considerados Patrimônios da Humanidade. Nada mais justo.

É a cidade com mais pórticos no mundo, cerca de 40 km de pórticos no centro histórico! E é realmente impressionante. Pórticos lindos, como os da Via dell’Indipendenza ou da Via Farini. Tem também alguns pórticos mais simples espalhados pelo centro histórico.

Pórticos da Via Farini.

Os pórticos nasceram do desejo das pessoas em habitar o cento da cidade há mais de mil anos. Colocando pórticos, o segundo andar da construção aumentava e consequentemente o número de moradores também. Os pórticos eram feitos inicialmente de madeira e só depois foram feitos de forma mais elaborada. Ainda é possível ver alguns destes pórticos de madeira na Casa Isolani na Strada Maggiore e na Casa Grassi na Via Marsala.

As portas de Bolonha

Bolonha, como toda boa cidade medieval, foi murada. Pelas histórias que ouvi, Bolonha teve mais de um muro. A medida que a cidade crescia, destruíam o muro antigo e construíam um novo. No centro histórico me lembro de ter visto uma porta antiga do primeiro muro da cidade.

Diziam por lá que esta era uma das portas antigas do primeiro muro do Bolonha.

As portas que hoje circulam o centro histórico são da sua última expansão. No século XX a cidade optou por demolir o muro (contra a vontade da população), sobrando apenas as 10 portas. Algumas escavações que foram feitas 1996 revelaram partes de uma estrutura que protegia a cidade no século VIII a.C. Essa estrutura foi fortificada e ainda conseguimos ver alguns resquícios no centro.

A primeira porta do último muro foi construída no século XIII. Inicialmente eram 12 portas, mas hoje existem apenas 10 – algumas são uma reconstrução da original, mas tem algumas originais ainda. Eu morei na entrada da porta San Mamolo. A porta não existe mais, mas a referência permanece. Mesmo sem ter a porta lá, ainda falávamos que morávamos na porta San Mamolo.

Assim que você sair da estação e se encaminhar para a Via dell’Indipendenza, passará pela porta Galliera. A porta San Donato marca a entrada (ou saída) da área da universidade. Já a porta Saragozza, marca o início do caminho para o Santuário Madonna di San Luca.

Como chegar até Bolonha

Chegar até Bolonha é tarefa fácil. Bolonha é uma das cidades mais importantes da Itália e capital da região da Emilia-Romagna. Devido a sua localização, muitos trens que ligam Milão – Roma e Veneza – Roma, passam por Bolonha. Chegar até a cidade de trem costuma ser a opção mais barata, mas não se esqueça de olhar empresa de ônibus como  MegabusFlixbusBuscenter.it e Baltour.

Transporte em Bolonha

Quase todas as atrações de Bolonha são no centro histórico e muito fáceis de chegar de uma a outra. O melhor da cidade é caminhar por suas ruas, então não se preocupe muito com transporte. Andar é a melhor ideia!

Nos finais de semana, as ruas do centro são fechadas para carros e as pessoas tomam conta. O comércio fica aberto até mais tarde, o que deixa a cidade sempre muito viva.

Várias ruas do centro não passam carro, então evite alugar um. Para ir da estação central até a sua hospedagem (se for pernoitar em Bolonha), pegar um táxi não é má ideia. Por fim, se quiser chegar do outro lado do centro, tem o ônibus circular – circolare, em italiano.

O que fazer em Bolonha

Igrejas

Impossível visitar uma cidade antiga da Itália e não tirar um tempinho para ver suas igrejas. A religião é uma parte muito importante da história italiana e, por isso, sempre encontramos atrações interessantes por suas cidades. Em Bolonha não é nada diferente.

A cidade é cheia de igrejas. Algumas pequenas e sem nada de muito especial e outras com histórias ou arquiteturas marcantes. Se você quiser visitar todas as igrejas de Bolonha, separe pelo menos uma semana para isso rs.

Separei algumas sugestões de igrejas com um toque especial para que você não deixe de entrar na história de Bolonha e consiga ver as igrejas mais importantes da cidade. Assim, pode ter certeza que vai ter um passeio mais proveitoso, tanto de tempo, quanto de conteúdo.

Além das igrejas aqui citadas, se você tiver tempo e interesse, sugiro visitar a Basilica di San Francesco, a Basilica di San Domenico e o Santuario di Santa Maria della Vita.

Basilica di Santo Stefano (Sete Chiese)

Mar e Nic admirando o conjunto de igrejas.

A primeira delas e a Basilica di Santo Stefano. É um pecado passar por Bolonha e não visitar esta basílica. Ela é conhecida como Sete Chiese (sete igrejas). Sua história é, no mínimo, curiosa. O conjunto da obra soma igreja, claustros, tumbas e pátios.

Ela foi construída onde havia antes um templo dedicado à deusa Ísis. Sua construção começou por volta do século IV como uma igreja simples. Com o tempo, outras partes foram adicionadas a igreja original. No século VIII foi adicionada a Igreja do Santo Crucifixo, no século V foi construída (e reconstruída no século XII) a Igreja do Santo Sepulcro, no século V (com reconstrução no século VIII e XI) as Igrejas dos Santos Vital e Agrícola e por fim a Igreja da Trindade (ou Igreja do Martyrium) sem data estimada.

Ao todo, chegaram a existir sete igrejas em um mesmo complexo. Hoje, existem apenas quatro, mas ainda assim é um complexo surpreendente. Logo na entrada, tem um desenho que acompanha a formação da basílica desde o início até os dias atuais. A basílica passou de sete para quatro igrejas por volta de 1880, em meio a um de seus vários reparos.

Pátio em frente à igreja. À direita, é possível ver a entrada da Corte Isolani, outra atração de Bolonha.

O blog Viagem Itália fez um post dedicado à Basílica com muitas informações históricas e fotos para quem quer saber mais sobre a construção incrível deste complexo de igrejas.

Entrada gratuita.

Basilica di San Petronio

É a igreja mais visitada e um dos cartões postais de Bolonha. Fica na Piazza Maggiore, a praça central da cidade. É a 16ª maior igreja católica do mundo e pode abrigar cerca de 28 mil pessoas. Sua construção iniciou em 1390 em estilo gótico. A construção foi prolongada por séculos e até hoje não está finalizada. A fachada da igreja nunca foi terminada! A ideia inicial era que a igreja fosse maior que a própria Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Parte de fachada é coberta com mármore, mas restante ainda está no tijolo à vista. A parte em mármore possui entalhes que recontam histórias bíblicas. Uma parte de mim gostaria de ver a igreja concluída com o design original que propuseram para ela. Outra parte acha um charme a igreja inacabada e que a deixa com ainda mais personalidade.

Dentro da igreja, existem várias obras de arte feitas por artistas italianos. Uma inclusive, causa muita polêmica. O afresco feito por Giovanni da Modena no século XV, retrata Maomé no inferno, pelado e sofrendo. A obra gera algumas revoltas entre membros do Islã e já foi alvo de ataques terroristas que não se concretizaram. Em 2002 e 2006, a polícia conseguiu impedir ataques que visavam explodir toda a igreja para destruir a obra. Por isso, a igreja é considerada um dos monumentos católicos mais ameaçados por extremistas islâmicos.

Ainda no seu interior, não deixe de conferir o relógio de sol feito de bronze com mais de 60 metros que recria uma linha meridional. Além de muito bonito, é um raro exemplo de instrumento científico em uma obra religiosa. É também considerada a maior meridiana do mundo. O relógio é datado de 1656 e ajudou a reconhecer vários erros no calendário juliano (implantado pelo líder romano Júlio César, em 46 a.C). Por fim, não deixe de reparar o órgão da igreja. É um dos mais antigos do mundo ainda em uso.

Entrada gratuita. Aberta todos os dias das 7h45 às 13h30 e das 15 às 18h00.

Cattedrale Metropolitana di San Pietro

Outra igreja que deve entrar para a lista é a Cattedrale Metropolitana di San Pietro. Fica bem perto da Piazza Maggiore e é o principal lugar de culto da cidade. É, inclusive, um pouco difícil de visitar, já que muitas vezes está em uso para celebrações.

Dizem por lá que a igreja foi construída no lugar de uma outra que pegou fogo no ano de 906. No entanto, a construção da igreja atual só começou por volta de 1028. Ela sobreviveu à um incêndio em 1131 e a um terremoto em 1222. O design atual foi finalizado em 1605. Além de ser uma bela igreja, com lindos afrescos e uma arquitetura que varia entre gótico, barroco e romântico, ainda existe um subsolo aberto para visitação.

Ossário no subsolo da igreja.

Os horários são teoricamente das 8h às 18h45, mas já aconteceu de a igreja estar fechada para visitação mesmo neste horário. No seu subsolo estão os destroços da primeira igreja que foi destruída no incêndio, além de algumas obras e sepulcros de bispos e arcebispos importantes para a paróquia.

Destroços da primeira igreja.

Sepulcros.

Além disso, a igreja tem uma torre alta aberta para visitação. A entrada na igreja e no subsolo é gratuita. A torre no entanto, apesar de teoricamente gratuita, tem um guardinha que pede uma doação “obrigatória” de cerca de EUR 5. Nas duas vezes que tentei subir, fui barrada para fazer a doação. Como já havíamos subido nas Duas Torres, preferi não pagar por ela.

Santuario Madonna di San Luca

De alguns pontos da cidade, você consegue avistar uma construção no topo de um morro. É o Santuario Madonna di San Luca, que está no Monte (ou Colle) della Guardia.

Santuario Madonna di San Luca.

O que faz o santuário ser uma atração famosa, são os seus pórticos que fazem o caminho do centro até lá. O caminho começa na linda porta Saragozza. Você segue na Via Saragozza e depois continua na Via di San Luca. O que fez a fama dos pórticos – que são em tom alaranjado para serem diferenciados dos demais das ruas ao redor – foi a sua quantidade.

Pórticos.

São 666 pórticos morro acima até o santuário. Eles são numerados, então você consegue ir acompanhando a distância que já percorreu. Para ser bem sincera, quando cheguei no topo vi apenas até o número 665, mas dizem que o 666 está lá também.

A simbologia do número 666 é ligado à uma história da Madonna (virgem Maria) que pisa na cabeça de uma serpente. Logo, os pórticos com o número do diabo (666) representam a serpente vencida pela Madonna, que está alto do morro.

Pórticos que levam ao santuário.

O santuário é bem legal e eu gostei muito de ter ido. Mas a verdade é que se você tem poucos dias (ou apenas um dia) em Bolonha, talvez não valha a pena. Você vai gastar muito tempo até chegar lá em cima e depois ainda tem que descer e voltar para o centro. Para quem vai ficar mais dias, recomendo o passeio, desde que você vá ciente que é longo e em subida. Então vá preparado para se cansar.

Se você tem apenas um ou dois dias, acho que tem coisas mais legais para você fazer na cidade. Mas essa é apenas a minha opinião! 😉

Você encontra com a gente sempre as melhores dicas sobre nômades digitais e sobre viajar barato! Coloque seu nome e e-mail abaixo para receber gratuitamente novas publicações do Diário de Navegador em sua caixa de entrada! 😀

Não vai ficar fora de dessa, né?

Atrações de Bolonha

Piazza Maggiore

É o centro turístico e histórico de Bolonha. Aqui na praça, se encontram a Basilica di San Petronio, Fontana del Nettuno, Palazzo D’Accursio, Palazzo di Podestà, Palazzo Re Enzo e a Biblioteca Salaborsa. Sim, tem muita coisa para ver.

A Piazza foi construída em 1564 por ordem do Papa Pio IV. Vários edifícios foram demolidos para abrir espaço para a construção da praça. A Biblioteca Salaborsa, além de grande, completa e muito bonita, tem em seu subsolo resquícios de construção etrusca e romana. Não deixe de visitar! Além de muito importante para a história de Bolonha, a entrada na biblioteca e no subsolo é gratuita.

Piazza Maggiore no Natal.

Até hoje a praça é ponto de encontro entre os bolonheses e ponto de partida para as principais lojas, atrações e restaurantes. É verdadeiramente o coração da cidade.

Fontana del Nettuno

Este slideshow necessita de JavaScript.

A fonte é uma das principais atrações da praça. Construída em 1564 por Giambologna, a fonte retrata o deus dos mares. Apesar de ter sido encomendada por sacerdotes, foi construída com toques muito eróticos.

Nos pés de Nettuno, estão quatro mulheres sentadas em golfinhos, com os seios a mostra jorrando água dos mamilos. Até Nettuno foi visto como um monumento erótico, já que está pelado. Dizem que por ordem dos sacerdotes, Nettuno foi modificado para diminuir seus “atributos” rs.

No entanto, se você ficar no ponto certo da escada de entrada da Biblioteca Salaborsa, consegue ver o dedão da mão de Nettuno dando a impressão de ser um pênis ereto. E sim, dá para ver essa ilusão de ótica da escada, eu testei. Foi uma forma de ceder à igreja sem perder a essência original da obra.

Outra curiosidade sobre a fonte, é o fato de que ela foi desmontada durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial e guardada em um lugar seguro para que não fosse destruída. Eu mesma presenciei uma vez que contornaram toda a fonte com barreiras de metais para ninguém conseguisse chegar até ela. Bolonha iria receber um número grande de visitantes para um evento e a prefeitura foi precavida. Imagino que aconteça sempre que necessário.

Palazzo di Podestà

O Palazzo di Podestà é a soma de três edifícios: o próprio Palazzo di Podestà, o Palazzo Re Enzo e o Palazzo del Capitano. Aqui está o Bologna Welcome, o centro de informações turísticas, alguns bares e restaurantes. O Bologna Welcome oferece alguns passeios guiados e tours mais completos, caso seja do seu interesse.

O Palácio Re Enzo foi construído entre os anos de 1244 e 1246. Ele serviu de prisão para o Re Enzo, filho de Federico II por 18 anos. Quando faleceu, foi sepultado na Basílica di San Domenico, onde ainda estão seus restos mortais. Uma curiosidade acústica sobre o palácio, é que quando você cochicha alguma coisa de um dos lados dos pilares que sustentam a Torre dell’Arengo, é possível ouvir tudo do outro lado. Outra curiosidade bacana, é que tem um lampião na quina do prédio que se acende toda vez que nasce um bebê na cidade!

Palazzo D’Accursio (ou Palazzo Comunale)

Palazzo Comunale à direita.

Como quase tudo em Bolonha, o Palazzo D’Accursio é um conjunto de prédios que por mais de sete séculos foi o centro político de Bolonha. Foi apenas em 2008 que a prefeitura mudou de prédio – que hoje fica atrás da estação central. O Palazzo Comunale, hoje, abriga alguns importantes museus. Também considerada parte do Palazzo, a Biblioteca Salaborsa, é o ponto do complexo que, na minha opinião, mais vale visitar.

Para quem gosta de museus, tem também o Museu Arqueológico, o Museu Medieval e o Museu de História de Bolonha. Um museu extra para visitar é o Carpigiani Gelato Museumque conta a história do gelato e ainda te ensina a fazer o seu!

O Palazzo Comunale está aberto ao público todos os dias das 6h30 às 20h00. Algumas salas e mostras tem horário diferenciado. Confira aqui.

Biblioteca Comunale dell’Archiginnasio

Esta biblioteca é uma atração que geralmente não está no roteiro dos turistas. Normalmente, o dia fica apertado e as pessoas optam por não visitarem a biblioteca. Mas deixo aqui essa dica. Se tiver tempo, vale a visita!

A Biblioteca Comunale é datada de 1801 e tem um incrível conjunto de obras. Ela foi construída originalmente no Convento di San Domenico e transferida para o Palazzo dell’Archiginnasio em 1838. É considerada uma das bibliotecas mais importantes de toda a Itália. Sua coleção abrange livros que acompanham a história de Bolonha e ainda alguns livros raros.

Horário de abertura: de segunda a sexta das 9h ás 18:45. Sábado das 9h às 13h45.

Due torre (duas torres)

Chegamos a um dos principais cartões postais de Bolonha. Uma das atrações imperdíveis e que vão te fazer apaixonar de vez pela cidade: as duas torres.

Parece que estamos falando de Senhor dos Anéis, mas na verdade estamos falando de torres típicas italianas. Em várias cidades do país, era muito comum ter torres altas espalhadas pelo território. Elas cumpriam várias funções diferentes (especialmente mostrar para a cidade quem eram as famílias mais ricas e poderosas) e são um dos símbolos do país – pelo menos na minha visão. Inclusive, uma cidade muito famosa por suas torres é San Gimignano, na Toscana. Já falamos da cidade aqui.

Vista da torre Asinelli para a Garisenda.

No caso das torres de Bolonha, apesar de existirem várias (claro que bem mais no passado), são duas torres vizinhas que ganham a atenção. Elas ficam no centro, bem perto da Piazza Maggiore e marcam um dos pontos mais importantes de Bolonha.

Subindo a torre

As torres se chamam Asinelli e Garisenda. Asinelli é a torre mais alta, com 97,2 metros de altura, datada de 1119. Além de compor o vista da cidade, é possível subir os 498 degraus da Asinelli e contemplar a vista apaixonante de Bolonha. É aqui que você percebe que já ama Bolonha. Para subir, você paga EUR 3 e respira fundo. Como toda boa asmática, tive que parar umas duas vezes para recuperar o fôlego. Mas não deixe que isso te desanime! A vista compensa.

Escadas da torre Asinelli.

Parece que estou fazendo pose, mas estava recuperando o fôlego já perto do topo. Nic me pegou no pulo!

Reza a lenda que os universitários que subirem a torre não se formam. Eu subi e me formei, mas vá por sua conta e risco rs.

Uma DICA VALIOSA para quem pretende subir a torre é a seguinte: preste atenção no sol. Pegar o pôr do sol do alto da torre foi fantástico! Vá com tempo de subir sem desmaiar e aprecie a vista em um dos momentos mais lindos do dia.

Eu não disse?

Sua vizinha Garisenda é um pouco mais baixa, com 47 metros. Originalmente, era mais alta que isso, mas devido ao solo onde foram construídas e sua fundação, teve que ser reduzida no século XIV para não tombar de vez. Se você reparar (nem precisa reparar bem, é muito nítido) as torres são muito inclinadas e no início passam aquela sensação de que estão prestes a cair. Depois você acostuma e começa a ver o charme disso. É a cara da Itália.

Este slideshow necessita de JavaScript.

De bônus ainda tive o prazer de assistir a um show oferecido gratuitamente pela prefeitura no final do ano ali mesmo nas torres. As pessoas se acomodaram na Via Rizzoli e a banda se posicionou na Asinelli. E é claro que amei o show!

Show aos pés das Due Torre.

Pelas ruas de Bolonha

Você não precisa conhecer as atrações para gostar de Bolonha. A cidade é toda diferente, especial e molto bella. Caminhar pelas ruas da cidade era meu passatempo favorito. Você não precisa ter um destino em mente, vá andando e aproveite para desvendar um pouco mais os cantos de Bolonha.

Aqui sou obrigada a fazer uma sugestão. Tenha internet móvel ou um mapa na mão. Na minha primeira semana na Itália eu não tinha internet no celular e em uma dessas andanças me perdi feio no centro histórico (que é bem grande por sinal). Hoje, quando lembro onde fiquei perdida, começo a rir. Sabendo o quão perto de tudo eu estava – inclusive da minha casa – tenho que rir mesmo. Mas no dia me perdi por umas duas horas. Fiquei bem nervosa! Imagina você perder o seu dia  na cidade porque ficou perdido? Um mapinha, mesmo que de papel, sempre ajuda.

Ande o máximo que puder! Você provavelmente vai chegar em Bolonha pela estação central. Assim que sair dela, vai pegar uma das ruas mais lindas da cidade: a Via dell’Indipendenza. Ali estão as principais lojas, boutiques e no fim dela você chega na Piazza Maggiore.

A Via Ugo Bassi também é passagem obrigatória. Não só por ser linda e também ter grande parte do comércio, mas porque é uma das ruas que cercam a Piazza Maggiore. Impossível andar por Bolonha sem passar por ela.

Via Ugo Bassi com as Due Torre ao fundo.

Além de todas as ruas que circulam essa região, recomendo que você também caminhe pela Via D’Azeglio e pela Via Farini. Na Farini estão as lojas mais caras. É por lá também que você vai chegar até a Biblioteca Comunale.

Canais de Bolonha (la piccola Venezia)

Uma das várias surpresas de Bolonha são os seus canais. Antigamente vários dos canais da cidade eram à céu aberto. Hoje, apenas dois ainda estão abertos. A princípio não parece ser uma atração legal de visitar. Mas é bem legal sim! Tem uma janelinha super despretensiosa na Via Piella. Mas quando você abre a janela, consegue ver o canal. Em Bolonha, esse pedaço ficou conhecido como la piccola Venezia (a pequena Veneza).

Dependendo da época do ano, realmente não tem nada para ver. Já vi o canal cheio e já vi ele vazio no inverno. Mas como é uma atração simples, no centro e rápida de se conhecer, vale a visita independente da época do ano. É só procurar pela Finestrella sul Canale – a janela sob o canal.

Foto: Bristin/Wikimedia Commons.

Onde comer em Bolonha

Já que comida é assunto sério em Bolonha, não podia faltar um tópico sobre onde comer na cidade. Como eu já disse, Bolonha tem famosos e deliciosos pratos típicos. Mais uma vez: aqui come-se muito bem!

Para os famosos aperitivos italianos, recomendo o Ristoro delle Fate, na Via Zamboni. Na verdade, qualquer lugar nessa região mais próxima à universidade vai ser muito bom. São bares animados, com muita comida e dali você já pode sair para jantar ou procurar uma festinha.

Para um delicioso gelato italiano, não deixe de passar na gelateria Gianni! Ela fica bem ao lado das Due Torre e já foi eleita como o melhor gelato do mundo algumas vezes. Se você já tiver provado o gelato da Gianni e ainda tiver apetite para mais, tem outras duas boas opções. A Cremeria Funivia na Piazza Cavour e a Cremeria D’Azeglio, na Via Massimo D’Azeglio, 75 (ao lado da minha antiga casa 😛 ).

Em relação à restaurantes, meu favorito era Osteria dell’Orsa. O cardápio não é fixo, cada dia tinha uns três pratos principais para você escolher. Pode provar o Tagliatelle Al Ragú e o Tortellini in Brodo deles que garanto que vai adorar! As entradas com queijos e presuntos crus são ótimas e o vinho da casa também.

Entrada de queijos e presuntos crus e um Tagliatelle Al Ragú na Osteria dell’Orsa.

Para um cafézinho, aproveite para conhecer a região da universidade e vá no La Scuderia. Meu favorito lá era o café com nutella, mas eles tem várias opções de bebidas e lanches, além de ficar na Piazza Giuseppe Verdi, o point dos universitários. O local também tem música animada e atividades noturnas.


Se você gostou desse post e quer dar uma olhadinha nele outras vezes, salva a imagem abaixo no seu painel de viagens no Pinterest! 😀

Bolonha é uma das cidades mais apaixonantes que já conheci. Se você também pretende conhecer esta incrível cidade, então descubra o que fazer em Bolonha!

 

E você? Já esteve em Bolonha? Conte a sua experiência aqui nos comentários!

Lembre-se que o DDN está aberto a críticas e sugestões via Facebook, comentários e através do nosso contato direto.

2 Replies to “O que fazer em Bolonha: guia completo para sua viagem”

Compartilhe suas ideias