O Gueto por trás de Varsóvia

Preparando minha viagem para Varsóvia, resolvi procurar algumas informações e dicas da cidade e do turismo de lá. A visita ao gueto de Varsóvia estava na minha lista, claro. Mas eu não tinha tanta certeza do que deveria ver ou porque era tão importante.  Foi então que percebi como meu passeio seria mais rico se eu soubesse – ou refrescasse a memória – sobre a historia recente de Varsóvia.

Varsóvia é hoje uma cidade moderna, cosmopolita e um pouco séria. Cheia de pessoas que jogam lixo no lixo, atravessam na faixa e respeitam o sinal vermelho. Quem visita a cidade hoje, vê poucos traços da história cinzenta que a cidade – e o país – passou. No período da Segunda Guerra Mundial, Varsóvia foi assolada pela ocupação nazista e soviética. A parte da cidade que mais marca este período é o gueto judaico.

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Um pouco da história do gueto de Varsóvia

Considerado o maior da Polônia, o gueto de Varsóvia marcou a história da cidade. Construído em 1940, pelo general Hans Frank, no início da ocupação nazista na Polônia, o gueto buscava isolar a população judaica dos poloneses. O bairro chegou aos 380.000 habitantes no seu auge, cerca de 30% da população da cidade, sendo que ocupava apenas 2,4% do território de Varsóvia.

Um mês após a formação do gueto, foi construído um muro que separava definitivamente os judeus do restante da cidade. O bairro era cortado por uma rua “cristã”, o que ocasionou na separação do gueto em dois lados de proporções diferentes – um deles era bem maior.

Como era de se esperar, doenças e fome afetaram grande parte da população que estava isolada no bairro judeu. A partir de 1942, os judeus de Varsóvia começaram a ser mandados em massa para campos de concentração, principalmente para Auzchwitz e Treblinka. Em dois meses, cerca de 300.000 judeus do gueto foram enviados para os campos.

Os judeus que restaram no gueto organizaram novos movimentos de resistência. Para isso, se equiparam, na medida do possível, com armamentos que conseguiram contrabandear para dentro do bairro. Surge então o Levante do Gueto de Varsóvia.

O marco do levante foi em abril 1943, quando a polícia alemã entrou no gueto com o objetivo de buscar mais judeus para os campos de extermínio. Neste dia, 750 combatentes judeus os enfrentaram pobremente armados e desnutridos. Os combatentes resistiram por quase um mês, mas os alemães conseguiram conter a revolta e a resistência chegou ao fim. Os soldados alemães só foram realmente contidos com a chegada dos soviéticos.

Varsóvia e o filme “O Pianista”

Lançado em 2002, o filme retrata a luta de um judeu pianista no período da Segunda Guerra. Se passa justamente em Varsóvia e ilustra a força do levante do gueto e, principalmente, o nível de destruição da cidade no final da guerra.

Sem dúvidas está na lista de primeira necessidade para quem visita Varsóvia. Não deixe de assistir o filme antes de viajar ou logo que voltar! Mesmo que você já tenha assistido, a sua impressão sobre a história nunca mais será a mesma.

Da mesma forma, recomendo outro clássico: A Lista de Schindler. Para quem vai estender a viagem até Cracóvia, vale a pena gastar um tempinho para assistir ao filme antes de viajar! E claro, visitar o museu que está localizado na antiga fábrica de Schindler.

Quer saber mais sobre Cracóvia? Confira aqui: Cracóvia em 4 dias.

A Varsóvia de hoje

Quando visitei o gueto tive uma surpresa. A história não está escancarada em um prédio velho ou em marcas de tiro. O bairro parece ter sido bem reformado ou até reconstruído. O que de fato foi – deixando apenas dois  dos prédios originais. Majoritariamente residencial, abriga muitos idosos.

A história do gueto está discreta e bem orientada. O Museu do Gueto guarda as principais informações e os resquícios do que era aquela região e de tudo que ela passou.

Museu Gueto Varsovia Gueto gueto de Varsóvia

Memorial em frente ao museu.

Andando pelo bairro é possível ver marcas que remontam a localização do muro.

Muro do Gueto Varsovia Polonia gueto de Varsóvia

Para quem quer se sentir uma pouco mais parte desta história, recomendo uma visita à Rua Mila. Lá você vai encontrar, em um pequeno jardim, o local onde ficava o bunker judeu. Existe um memorial acanhado lá.

Bunker Varsovia Gueto gueto de Varsóvia

O bairro ainda conta com o Monumento aos Heróis do Gueto, que fica na Rua Stawki. Na esquina do monumento, é possível ver um mapa que destaca a parte que era o gueto.

Memorial Varsovia Gueto gueto de Varsóvia

Varsóvia carrega uma energia de superação escancarada na reconstrução da cidade. O Museu da Insurreição de Varsóvia faz um ótimo trabalho ao mostrar a resistência dos cidadãos e a força que teve o exército alemão. Mas, mais chocante ainda, são as imagens que mostram a cidade reduzida a pó no fim da guerra, em um curto documentário no museu.

Museu Insurreição gueto de Varsóvia

Banner do documentário Miasto Ruin – City of Ruins.

Quer assistir ao documentário? Ele foi disponibilizado (quase completo) no Youtube. Confira abaixo:

A cidade vale a visita. Além disso, pede que seus visitantes entendam tudo que ela teve que passar e que reconheçam a força que tem hoje como capital reconstruída. Visitar Varsóvia meu deu um novo respeito pelo povo polonês.


Quer saber o que fazer em Varsóvia? Clique aqui e confira as dicas do Diário de Navegador!

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3 Replies to “O Gueto por trás de Varsóvia”

    1. Assisti ao filme enquanto eu estava lá justamente para lembrar destas cenas tão marcates.. o que foi ótimo, porque me deu uma vontade ainda maior de conhecer o gueto. Os filmes dão esse gostinho realista que ajuda a nossa cabeça a remontar a história! Depois me passa alguns desses filmes poloneses!!
      E aguenta ai que o da Espanha vai sair também haha Beijos.

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