Mulher em hostel: como vencer a insegurança

Os hostels tem se popularizado muito entre os viajantes e sempre vejo pessoas perguntando “mas porque?”, “é seguro?” e “mas você não tem medo por ser mulher?” A verdade é que gosto muito de me hospedar em hostel. A primeira vez que fiquei em um hostel foi durante meu intercâmbio no Canadá, aos 18 anos. Desde então, já passei por vários hostels e vários países.

Sei que existem uma pressão muito grande em cima das mulheres para evitar hospedagens “perigosas” e viajarem sozinhas. Mas eu, como uma mulher que viaja tanto sozinha quanto acompanhada desde os 17 anos, e várias outras mulheres viajantes te dizemos que nós podemos tudo. Hostels são ótimos e precisamos quebrar um pouco com essa ideia de que são perigosos e que mulher não pode ir sozinha. Por isso, venho deixar meu relato de experiências que já tive e de como funcionam essas hospedagens tão faladas atualmente.

Porque se hospedar em um hostel?

Primeiramente, o que mais chama a atenção em hostels, são os preços! Na maioria das vezes, são as hospedagens pagas mais baratas que encontramos. Já paguei por hostels caros, como foi o caso de Cinque Terre na Itália, onde paguei 25 euros a noite em um hostel, que devo dizer, não valia nem 10 euros.

Felizmente, já me hospedei em bons hostels (ou médios sem reclamações) pagando muito pouco, como aconteceu em Santorini na Grécia e em Praga, na República Tcheca. Em Santorini, umas das ilhas gregas mais famosas e caras, peguei 9 euros a noite para ficar em um quarto misto de 10 camas. Praga foi ainda melhor! Paguei 9 euros a noite para ficar em um quarto duplo com o Nic. Em Barcelona, na Espanha, também tiramos a sorte grande! Ficamos em um hostel excelente (um dos melhores até hoje) pagando 14 euros a noite cada um. O hostel tinha café da manhã e jantar inclusos nesse valor!

Eu no nosso quarto em Santorini.

Saiba mais: 7 dicas de como encontrar hospedagem barata (ou até grátis!)

Já deu pra ver que financeiramente escolher se hospedar em hostel faz uma diferença tremenda no seu orçamento. É inclusive uma das dicas que sempre damos para quem quer viajar gastando pouco.

Temos uma ideia um pouco errada de que hostel não é confortável e é só para aquele mochileiro clássico. Não é bem assim. Existem hostels super confortáveis (no Brasil tem vários desse perfil inclusive), limpos, silenciosos, organizados e seguros.

Saiba mais: Conheça os 10 melhores hostels do Brasil.

Mas hostel não é uma boa escolha apenas pelo diferença de preço! É também a escolha mais recomendada para quem está viajando sozinho. Existe um senso de comunidade muito grande nos hostels, onde fica fácil conhecer pessoas bem dispostas, que também estão passeando e muitas vezes também estão na mesma situação de estarem viajando sozinhas.

É muito bom achar companhias para visitar determinado lugar ou conversar com alguém no fim do dia. Ajuda muito trocar informações sobre passeios, destinos, transportes e aprender um pouco mais sobre outras pessoas e as culturas que elas fazem parte. É uma forma de vivenciar o mundo além do turismo tradicional.

Quando estava em Budapeste com o Nic e uma amiga que morava comigo na Itália, conhecemos dois mexicanos no hostel. No dia de ir embora, eles comentaram que não sabiam muito bem como chegar até o aeroporto e estavam um pouco perdidos. Como eu havia pesquisado todas as formas de chegar até lá e olhado todos os preços, convidei os dois para fazerem o trajeto com a gente. Foi uma bobagenzinha que fez toda a diferença para eles, que já estavam em cima da hora do voo.

A troca de experiências que acontece em um hostel, é o principal motivo pelo qual escolho me hospedar lá.

Se o hostel tem cozinha, melhor ainda! Além de ser uma grande economia com alimentação, a cozinha costuma ser o ambiente onde as pessoas mais interagem! Compartilham histórias, receitas e mostram ainda mais o lado cultural de cada um.

Minhas experiências com hostels

Eu tive experiências muito positivas com hostels! Já tive um problema ou outro, mas nada de sério ou que me fizesse questionar o meio de hospedagem. Teve um caso em Roma, que até hoje não sei dizer bem o que aconteceu. Na primeira vez que me hospedei em Roma, (só uma noite entre chegar da Grécia e voltar para Bolonha, cidade em que eu morava), fiquei em um hostel perto da Estação Termini. O hostel se chama Hostel Beautiful 2 e não é bom nem ruim. É confortável, mas achei a higiene questionável. E eles dizem ter wi-fi, mas sempre está “estragado”.

Enfim, eu e o Nic chegamos no hostel super cansados da nossa viagem pela Grécia e resolvemos dormir um pouquinho antes de sair pra comer algo. Pegamos um quarto duplo, pois era o único disponível (a gente não tinha reserva). O banheiro ficava do lado de fora, mas tinha uma pia com espelho no quarto. O Nic estava lavando o rosto, quando um funcionário abriu a porta do quarto (usando chave, porque ela estava trancada) e entrou. Ele olhou pra mim sem muita expressão e só se “assustou” quando olhou pro lado e viu o Nic. Ele pediu desculpas para o Nic e disse que não sabia que tinha hóspedes no quarto e estava entrando apenas para limpar.

Essa história, na minha cabeça, só tem três conclusões possíveis: 1) estávamos em um quarto sujo, porque ele saiu sem limpar; 2) ele achou que não estaríamos no quarto, mas sabia que tinha hóspedes e; 3) se ele só se assustou com o Nic, ele sabia que eu estava lá dentro?

Essa história nada mais é que um pequeno alerta que todo viajante deve ter em qualquer meio de hospedagem (também acontecem em hotéis). Uma dica que sempre dou é juntar as coisas mais importantes, tipo celular, câmera, dinheiro e documentos e colocar em uma bolsa. Essa bolsa deve dormir sempre perto de você ou muito bem trancada em um locker.

Tirando esse “desentendimento”, só tenho histórias boas e engraçadas para contar!

O caso de Berlim

Bom, para começar, devo dizer que fiquei num hostel muito bom em Berlim, com uma área de convivência bem grande, internet boa, bem localizado, quartos limpos e banheiros higiênicos. O hostel é o Three Little Pigs.

Fui para Berlim com o Nic e minha amiga chegaria no dia seguinte pra começar o passeio com o gente. Chegamos ainda durante o dia, fomos para o quarto deixar as mochilas e passear um pouco, jantar e voltar para o hostel. O quarto era para 8 pessoas e tinham apenas duas camas ocupadas quando chegamos. O Nic pegou a parte de cima da beliche e eu a de baixo.

Saímos, jantamos, caminhamos, tiramos fotos e voltamos para o hostel para dormir e avisar as famílias que estávamos bem (já que não tínhamos internet móvel). Quando chegamos no quarto, a mala do Nic estava em cima de uma mesinha que tinha no centro do quarto e na cama dele estava dormindo outra pessoa. Já estava de noite, o quarto estava cheio e estavam todos dormindo.

A gente ficou sem entender nada! Olhamos para as outras camas e TODAS tinham algum pertence em cima! O que pensei na hora foi, ou colocaram uma pessoa a mais no quarto, ou tem alguém colocando a mala na cama vazia de outra pessoa (já que não tinha locker). Bom, não tinha como a gente ver isso no meio da noite usando a lanterninha do celular. Como a gente estava bem cansado e estavam todos dormindo, resolvemos dormir essa noite juntos na minha cama e resolver tudo com o hostel pela manhã.

Eis que… uma senhora (com uns 65 anos) começa a gritar muito com a gente porque estávamos na mesma cama!

O Nic, com toda a paciência do mundo, tentou explicar pra ela que estávamos na mesma cama porque não tinha cama pra ele no quarto. Ela continuou gritando (sim, gritando) NO SEX, NO SEX e acordou o quarto todo, acendeu a luz e queria que o Nic fosse embora do quarto. Na verdade, a gente não estava nem deitado ainda quando ela gritou, o Nic estava apenas sentado na minha cama rs.

O cara que estava na cama do Nic também acordou e ficou vendo a discussão toda. O Nic, então tentou falar com ele, mas ele não falava inglês! Na hora, não conseguimos ver qual idioma ele estava falando, porque a senhora não parava de gritar.

O Nic então resolveu ir até a recepção e explicar que ele não tinha cama pra dormir e que a senhora estava fazendo um escândalo no quarto. Eu fiquei no quarto vigiando nossas malas. O cara que estava na cama dele foi junto de bom grado, porque ele entendeu que tinha alguma coisa rolando que envolvia ele também. Quando eles saíram do quarto, a senhora me xingou de puta e disse que me faltava vergonha na cara e saiu atrás deles também.

Na recepção:

– Olá, tudo bem? Preciso compartilhar uma situação desconfortável que está acontecendo no meu quarto. Cheguei para dormir e o colega aqui estava na minha cama e não tinha outra cama livre para mim. Resolvi deitar com a minha namorada para não acordar todo mundo e uma senhora ficou muito brava com isso.

– Ah sei quem é ela! Ela fica hospedada aqui quase todo mês. Briga com todos os jovens que fazem barulho, dorme cedo e não aceita que acendam a luz ou durmam tarde no quarto. E você, perguntou para o outro cara, estava na cama certa?

– Cosa?, disse o cara da cama (nesse ponto o Nic viu que ele era italiano).

– Cara! A minha namorada fala italiano! Ela que tinha que estar aqui conversando com ele (risos).

– Io stava nella mia cama. Mia cama de ontem.

– Mas porque não tinha nada seu na cama?, perguntou o Nic.

– Perchè stava nella mesa.

– Ah! Então eu que peguei a sua cama sem querer! Mas tem pessoas a mais no quarto?, o Nic perguntou pro cara da recepção.

– Hm, olhando aqui no sistema da recepção, está sobrando uma cama. Alguém deve ter colocado a mala em uma cama vazia e não estava no quarto para ver o escândalo.

– NO SEX NO SEX NO SEX. Eu sabia o que eles iriam fazer. Ainda bem que eu estava lá para impedir!, disse a gentil senhora.

– A senhora pode voltar para o quarto, que já estou resolvendo com eles aqui, disse o cara da recepção.

Ela voltou para o quarto e ficou sentada na cama me encarando e dando lição de moral até o Nic chegar com a boa notícia.

O cara da recepção riu muito da história e disse pra gente não se preocupar. Disse que ela não aceita muito bem os jovens e não é aberta à outras interpretações. Pra a gente não precisar ficar desconfortável no quarto com ela, nos deram a chave de um quarto de 8 camas VAZIO no nosso andar. Ficamos nele sozinhos o resto da viagem e nem vi a senhora mais!


Moral da história: não use a cama que não é sua! Ela pode estar vazia naquele momento, mas pode ter alguém chegando e precisando dela. Se essa pessoa que usou duas camas tivesse se contentado só com a dela, nada disso teria acontecido.

Segunda moral da história: sempre deixe algo na cama que mostre que tem alguém dormindo nela. Uma cama sem nada e bem estendida dá a entender que está livre. Não precisa deixar um pertence, para não ser roubado. Mas pelo menos arrume as cobertas e mostre que alguém dormiu ai.

Terceira moral da história: mesmo que a senhora tenha sido muito rude e tenha achado ruim de algo que não aconteceu, fica a lição de que sexo no quarto coletivo não é legal. As outras pessoas querem dormir e não querem ficar desconfortáveis com a situação que você está impondo. Aqui, o que prevalece é o coletivo!

Mulher em hostel

As mulheres estão sempre mais sujeitas a passarem por situações desconfortáveis ou perigosas. Mas não deixe isso te assustar! Não é tão diferente do seu dia a dia. Sempre vi hostels cheios de mulheres, muitas vezes viajando sozinhas. Eu sempre fui essa mulher! Minha primeira vez sozinha em um hostel foi no HI Hostel em Vancouver, no Canadá aos 18 anos. Fui na cara e na coragem e tive uma experiência maravilhosa! É assim que a gente se fortalece e vive experiências incríveis. Não deixe o medo te abater.

Mulher viajando sozinha.

Se você se sente um pouco insegura, escolha hostels que tenham quartos femininos ou individuais. A maioria deles tem quartos mistos (homem e mulher), feminino, masculino (mais raro), duplo e individual. Claro que os preços mudam, mas é uma ótima opção, especialmente se você estiver viajando sozinha. Os banheiros costumam ser comuns ao andar (separados entre masculino e feminino), mas você pode optar por pegar um quarto com banheiro dentro. 

Se ainda estiver com dúvidas sobre a hospedagem, procure referências de amigos ou de outras mulheres que viajam sozinhas. As dicas de blogs também ajudam bastante nessa hora! 😉

A verdade é que tirando essa situação curiosa em Roma e a história engraçada em Berlim, eu nunca tive problema nenhum com hostel. Tenho apenas boas histórias para contar! Claro que já fiquei em hostels de estrutura ruim, mas nunca tive nada roubado, nunca me senti muito desconfortável com os homens e sempre conheci pessoas muito bacanas.

A maioria das viagens que fiz ficando em hostels foi com o Nic, o que muda um pouco a situação, especialmente quanto a casos de assédio. No Canadá fiquei em quarto feminino e misto porque fui uma vez com uma amiga, outra com um amigo e mais outra sozinha. Já na Europa, eu estava quase sempre em quarto misto, para ficar no mesmo quarto que o Nic. Tinham várias meninas sozinhas nos nossos quartos e elas estavam bem tranquilas com a situação.

O importante é você não deixar a insegurança ganhar de você. As chances são que você vai se hospedar em um hostel, conhecer pessoas bacanas, passear bastante e ter uma viagem incrível! Mulher em hostel é uma ótima ideia! E se tiver momentos de insegurança, então procure outras meninas que estão na mesma cidade que você. Juntas somos mais fortes!

Uma última dica que tenho para dar é: faça parte de grupos de facebook voltados para mulheres viajantes. Existe uma troca de experiências maravilhosas e várias histórias inspiradoras! Gosto bastante do “couchsurfing das mina” e do “viajar sozinha dicas de viagem”.


E você? Já se hospedou em um hostel? Conta pra gente!

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