O que é viagem de mochilão? Conheça quem são os mochileiros e como se tornar um

Para muitas pessoas, mochilar é a verdadeira “arte de viajar”. Viajar e mochilar podem significar coisas diferentes e podem ser para pessoas diferentes. Nem todo mundo gostaria de fazer um mochilão. E vamos deixar claro que não existe uma forma melhor de viajar, são apenas diferentes. No entanto, para quem quer realmente conhecer o mundo, um mochilão parece bem adequado. Mas enfim, o que é viagem de mochilão? E quem são os mochileiros?

O que é um mochilão?

Fazer uma mochilão, nada mais é que transformar o seu estilo de viajar. É se importar menos com o turístico e mais óbvio e se render às particularidades locais. As pessoas às vezes confundem e acham que mochilão é apenas a viagem com mochila nas costas, pedindo carona e dormindo em barraca. Este é um dos estilos, mas não o único. É possível ser um mochileiro usando mala de rodinhas, por exemplo.

A definição não está na sua mala  às vezes apenas na quantidade de coisas , nas suas roupas ou se você viaja sozinho ou não. Está nas suas escolhas como um viajante.

Para ajudar a ilustrar a ideia de um mochileiro, vamos fazer uma grossa separação de pessoas: os turistas e os viajantes. Já falamos um pouco desta diferença no post sobre o turismo consciente. Os turistas seriam pessoas que viajam para descansar, para aproveitar a família e para se afastar dos problemas cotidianos.

Os viajantes viajam para conhecer o mundo, a gastronomia e às vezes até para se desafiarem em uma jornada de auto conhecimento. São apenas pessoas diferentes que enxergam o turismo com óticas diversas. Um mochilão seria então, uma forma diferente de conhecer o mundo.

O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens. (…) Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. – Contardo Calligaris

Atenção aos esteriótipos

Na verdade, o termo “mochilão” tem sido usado de uma forma um pouco errada por muitas empresas. Quem nunca viu um mochilão de 15 por vários países sendo vendido por agências? São viagens maravilhosas, tenho absoluta certeza disso. Mas fogem um pouco do conceito de mochilão.

Em um mochilão comercial como este, o viajante não tem controle sobre suas decisões de viagem, não se arrisca e tem menos contato com o que gostaria de conhecer. Estas viagens são uma boa forma de quebrar o gelo com o mundo viajante e abrir portas para sua independência como mochileiro.

Por fim, vale quebrar aqui um esteriótipo dos grandes. Mochileiro não é só aquele cara aventureiro, com uma mochila nas costas, sem dinheiro e pedindo carona. Ele existe, claro, mas é minoria.

Mochileiros somos todos nós, que decidimos sair da nossa zona de conforto, que testamos nossos limites no desconhecido, que dedicamos um tempo para nos conhecermos melhor longe das pessoas do nosso convívio, que nos abrimos para o mundo. Mochileiros são mulheres sozinhas, casais apaixonados, caroneiros, grupos de amigos… não importa. Esqueça este esteriótipo!

Nem todo mundo quer acampar no mato, fazer trilha, carregar 15 kg nas costas ou dormir na casa de um desconhecido. A verdade é que não existe uma definição absoluta de mochilão ou mochileiro. Apenas um grupo de características que nos ajudam a entender quem eles são.

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Quem são os mochileiros?

O mochileiro se aproxima do que seria, na nossa definição, um viajante. Algumas características mais gerais e superficiais te ajudam a perceber, identificar e se colocar como um mochileiro. A primeira coisa que costumam ter em comum, é a vontade de conhecer vários lugares.

Conhecer pessoas, cidades, atrações, comidas, histórias e aventuras. Compartilham com outras pessoas o espírito de viajar e se integrar melhor com o mundo. Reconhecem a imensidão do mundo, as particularidades, a solidão, o prazer das companhias e graça de gastar o seu dinheiro para se tornar mais rico.

Os mochileiros costumam viajar sem pressa de conhecer uma cidade toda em um dia. Apenas se não tiverem outra opção, mas aí fica aquela vontade de voltar e conhecer o resto. O mochileiro segue uma filosofia de vida ligada a liberdade. É aquele que quer se soltar das amarras da “vida comum”. Não é que a vida comum seja ruim, pelo contrário. Apenas gostamos de liberdade de escolher.

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Outra característica compartilhada pela maioria dos mochileiros é a economia. Claro que você não precisa viajar passando aperto e pode sim viajar com muito dinheiro e ser um mochileiro. O que costumam fazer, é aproveitar ao máximo o que aquele dinheiro pode oferecer. Dez dias de luxo em Nova York ou trinta dias “de mochileiro” pelas Américas?  Está é a grande diferença: o famoso viajar mais gastando menos.

É uma cultura que surgiu em busca do novo, do surpreendente, do auto conhecimento, de abrir fronteiras, de sair da rotina e do desbravar.

O início do mochilão

Li uma vez que a ideia backpacker foi o resultado de uma geração norte americana dos anos 1950 e 1960 que foi ficando desacreditada com a ideia dessa vida “enformada”. Todos na busca de empregos comuns e formando famílias comuns, acabou irritando este pessoal, que decidiu aproveitar cada chance que tinham para viajar. Se identificou? Pois é, eu também. Acho que no fundinho sempre tivemos aquele gene nômade.

Nos últimos anos, o mochilão tem se popularizado incrivelmente no Brasil. É só pensar em quantos mochileiros você conhecia na sua infância e quantos você conhece ou já ouviu falar – hoje. Tem-se formado uma rede de mochileiros muito grande, solidária e encorajadora.

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Como planejar um mochilão?

Aqui não tem muitos segredos. A verdade é que não existe receita para viajar de mochilão. A ideia é que qualquer pessoa pode ser um mochileiro. Afinal, todos nós estamos aptos a conhecer uma parte do mundo que não conhecemos ainda – ou gostamos muito e queremos repetir. Um grande erro que cometemos é achar que viagem de mochilão é só fora do Brasil ou do seu estado. Grande erro.

A verdade é que o Brasil é um país fabuloso e nem sempre nós tiramos tempo para conhecer o que está tão perto da gente. Eu sei que a grama do vizinho é mais verde e por isso queremos sempre ir longe, mas porque não começar por uma cidade perto da sua? Nossa dica é: não tire o Brasil da lista antes de conhecê-lo!

Bom, o planejamento de um mochilão começa com uma simples identificação: para onde quero ir, por quanto tempo e com quanto dinheiro?

Uma pergunta depende da outra. O tempo provavelmente vai depender de quanto dinheiro você tem para ficar viajando. Às vezes dá para fazer apenas uma viagem de final de semana, como fizemos na incrível Ibitipoca, em Minas Gerais. Outras vezes, dá para rodar o mundo em três anos, como foi o caso do Viajo Logo Existo.

Claro que existem também aqueles mochileiro super corajosos que decidem viajar mesmo sem dinheiro, pedindo carona, trabalhando no caminho e tendo uma experiência incrível.

O importante é escolher um destino que combine com você e com as suas intenções no momento. Um mochilão de aventura é diferente de um mochilão pela cidade. Dá para fazer mochilão de aventura assim como um mochilão mais sossegado e cultural, por exemplo.

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Low Cost

Como eu já disse, um fator que liga quase todos os mochileiros é a economia. É saber fazer o seu dinheiro render o máximo possível em uma viagem. É também saber economizar para viajar, mas falaremos disso em outro post.

As empresas low cost são aquelas que oferecem serviços por preços menores. Parece surreal, pois não é comum no Brasil, mas na Europa, por exemplo, é tão comum que é possível fazer um trajeto de 12 horas por EUR 0,50. Sim, somos provas vivas que é possível. Fizemos uma viagem de Bolonha, na Itália para Paris gastando apenas 0,50 centavos de euro. Foi uma promoção relâmpago de inverno da empresa do ônibus Megabus.

Com o tempo e trocando dicas com outros mochileiros, você vai aprendendo a colocar empresas low cost no seu roteiro sem te prejudicar (às vezes elas tem horários ruins, por exemplo) e fazendo uma boa economia.

Mas esta economia não se refere apenas ao transporte. É possível economizar em todos os aspectos da sua viagem sem atrapalhá-la.

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Alimentação

Essa parte é um pouco difícil para algumas pessoas, mas vale a pena. Economizar na alimentação parece mesquinho, mas nada mais é que cortar gastos “desnecessários” para aquele momento sem perder a experiência.

O que nós sempre fazemos para economizar, sem deixar de provar um prato típico, por exemplo, é fazer uma refeição bem econômica (tipo um fast food, cozinhar ou comer lanchinhos de supermercado) para poder comer melhor e experimentar as comidas na próxima refeição.

Um exemplo disso aconteceu na nossa viagem a Paris. Reservamos um apartamento pelo site Airbnb – confira aqui o nosso post sobre o Airbnb – que tinha cozinha. Na hora do almoço experimentávamos pratos franceses fora do centro turístico, para não pagar um preço exageradamente alto e, a noite, íamos no supermercado e cozinhávamos uma refeição econômica no apartamento, como macarrão, por exemplo. Fazendo isso, conseguimos provar o que queríamos sem extrapolar financeiramente.

Procure supermercados, comidas de rua e converse com outros viajantes em busca de dicas. Não tem jeito melhor!

Nosso prato de Steak Tartare em Paris.

Hospedagem

Outro segredo na economia e na interação com a comunidade local e outros viajantes, é a hospedagem. Você já deve ter ouvido falar nos famosos hostels. São meios de hospedagem que oferecem um preço mais acessível e uma experiência entre viajantes mais legítimas. Normalmente são quartos e banheiros compartilhados, tem cozinha e uma área de convivência comum para os hóspedes.

Parece um desafio a primeira vista, mas são ótimos! Hoje, me hospedo em hostel por preferência. Adoro a experiência, os preços, as dicas que recebo dos funcionários ou de outros viajantes e a interação que costuma acontecer.

Saiba mais: Mulher em hostel: como vencer a insegurança.

O Airbnb também é uma opção que pode ser econômica e é um pouco mais privada, para quem prefere. Não deixe de ler o post que fizemos sobre o Airbnb aqui. Outra opção maravilhosa é o couchsurfing. Confira nosso post sobre couchsurfing aqui.

Flexibilidade

Ser flexível é o segredo para uma viagem econômica. Ser flexível com hospedagem e escolher um hostel, ser flexível com alimentação e não se importar que economizar um pouco para comer melhor depois, ser flexível com transporte e viajar por 12 horas seguidas para pagar apenas 0,50 centavos. Tudo isso faz diferença na sua viagem.

A flexibilidade de datas também conta muito. Viajar em baixa temporada e viajar sozinho porque as companhias não puderam ir, por exemplo, são uma boa ideia.

A flexibilidade quanto ao roteiro e as cidades e atrações que você quer conhecer também são muito importantes. Quando viajei pela Espanha, tive que tirar Salamanca do meu roteiro porque o meu dinheiro não daria para colocar mais uma cidade. Seja flexível neste ponto e abra mão de algumas coisas para aproveitar melhor as que escolheu.

A flexibilidade também diz respeito ao seu “espírito mochileiro”. Ser flexível para experimentar coisas novas, conhecer pessoas diferentes e fazer programas que não tem costume são partes importantes de ser um mochileiro.

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Pouca bagagem

É também uma característica compartilhada por muitos mochileiros. É o que chamamos de pack light, ou seja, leve apenas o necessário. Poucas roupas – as que você sabe que realmente usa –, poucos produtos de beleza, apenas os remédios necessários e itens básicos, como toalha, óculos, etc.

Dificilmente você vai ver um mochileiro com muita bagagem. Na verdade, quanto mais viajamos, mais reduzimos as malas (ou pelo menos temos essa tendência). No meu primeiro intercâmbio, por exemplo, levei duas malas gigantes com quase tudo que eu tinha aqui no Brasil. Nem preciso falar que não usei nem a metade, né. No meu segundo intercâmbio, já fui com uma mala e uma mochila cargueira nas costas. Isso para 6 meses de residência. Nas minhas viagens, apenas a mochila cargueira.

O bom de ter pouca bagagem, é a facilidade que isso te trará. Você não quer estar em um quarto coletivo retirando tudo das suas duas malas de 32 kg para achar uma escova de cabelo. Na hora do mochilão, é melhor que as coisas sejam mais práticas. Além disso, algumas empresas low cost tem um limite de bagagem reduzido e te cobram caro se você extrapolar.

Essa é uma dica para a vida: tenha com você apenas o necessário e sua viagem será bem mais confortável. Até porque, se estiver com a mala muita cheia, como vai trazer tudo que você quiser comprar na sua viagem? Aprendi essa lição de forma dura e deixando muita coisa para trás. Evite cometer esse erro.

Qual mala usar?

Em relação a qual bagagem usar, use a que tiver ou a que te deixar mais confortável. Já vi vários mochileiros dizendo que não gostam de mochila cargueira por dor os ombros ou acharem mais difícil de transportar. Eu, particularmente, prefiro a mochila cargueira.

Nem todos os lugares não acessíveis a uma mala de rodinha e ela pode te dar ainda mais trabalho que a mochila. Mas lembre-se que não é a mala que faz o viajante e sim o contrário. Sacola de mão, mochila cargueira ou mala de rodinha. O importante é quem está carregando ela.

Se você optar por uma mochila cargueira, pesquise bastante para comprar uma duradoura e que não vai te deixar na mão. Ela vai ser sua melhor amiga na viagem.

Esteja preparado

Este dica é a melhor e a mais óbvia ao mesmo tempo. Não temos como estar preparados para tudo. Mas tenha pelo menos a noção do que você está prestes a encarar. Muitas pessoas enfrentam os seus medos e fazem um mochilão, sozinhas ou acompanhadas. Esteja preparado para ficar sem dinheiro antes de acabar a viagem, para perder um avião ou ônibus, para ficar sem companhia em determinado passeio, para ter uma intoxicação alimentar, esteja preparado para sair do roteiro.

Estar preparado emocionalmente é o mais importante, mas não se esqueça de estar preparado também fisicamente. Aqui cabe lembrar da importância de comprar um bom seguro viagem para não gastar mais e ter problemas na viagem. Não comprar seguro não é economia, é arriscar perder muito tempo, dinheiro e saúde. Para te ajudar a entender melhor sobre seguros e como escolher um bom, confira o post Seguro Viagem – vale a pena contratar?


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Para muitas pessoas, mochilar é a verdadeira "arte de viajar" de conhecer o mundo. Mas afinal, o que é viagem de mochilão? Como me tornar um mochileiro?

E você, já fez um mochilão? Conte pra gente como foi!

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