Quem converte não se diverte? Entenda o dilema financeiro dos viajantes

Sempre que saímos do Brasil, escutamos aquele velho ditado: “quem converte não se diverte”. Ele é a representação das pessoas que ficam muito preocupadas com os valores que gastam em outras moedas comparadas ao real. Mas será que vale a pena viajar se preocupando com essa conversão? Ou existe um jeito mais adequado de pensar nos seus gastos no exterior?

Porque “quem converte não se diverte?”

Essa expressão está na vida dos viajantes há muito tempo. Eis que fizeram uma rima que representa todo um dilema financeiro de quem está em outro país e paga as contas em real. Quem mora em outro país e recebe, por exemplo, um salário na moeda local, está a salvo do dilema. Recebe em moeda local e gasta em moeda local. Assim como fazemos no Brasil com o real.

Aqueles que estão bancando uma viagem ou um intercâmbio em reais, sofrem com a conversão, especialmente em países que tem uma moeda mais cara que o real.

Essa expressão surgiu por causa dos viajantes que viajavam e convertiam tudo para o real para saber se algo era caro ou não. Convertiam o almoço de pesos argentinos para o real. A janta de euros para o real. E as comprinhas do dólar para o real. E por aí vai.

O que essas pessoas esquecem de levar em conta, é que as moedas representam custos de vida diferentes. Você já ouviu falar no termo da economia “paridade de poder de compra“? Bom, ele tem um papel importante aqui. Mas não vamos aprofundar tanto assim na economia.

Meu método de custo de vida

Eu criei um método de comparação que me ajuda bastante a raciocinar sobre determinada moeda. Afinal, uma coisa que todos nós podemos concordar, é que quando chegamos em um país, chegamos pensando em reais e saímos pensando na moeda local. Gasta um tempinho para acostumar com aquele câmbio, custo de vida e conversão. Depois vai ficando mais fácil.

Bom, meu “método” é mega simples e nem um pouco aprovado por um economista rs. Mas tem funcionado para mim e deixo aqui a dica para você também. Para usar esse método, você precisará de um produto que tem no mundo inteiro: uma garrafa d’água!

Foi uma dica que pensei quando ainda morava na Europa. Visitei vários países da zona do Euro e alguns fora da zona do Euro. Mesmo tendo a mesma moeda, os países tinham preços diferentes.

Mas vamos lá. O primeiro passo do meu método é olhar o preço de uma garrafa de 1 litro (pode ser outra medida, mas mantenha o padrão) aqui no Brasil. Vamos colocar uma valor fictício de R$5,00. Chegando, por exemplo, na Itália, vou no supermercado e olho a média de preço de uma garrafa de 1 litro de água. Vamos supor que ela custe EUR 1.

A partir daí, passo a calcular o custo de vida da Itália, país do nosso exemplo. Se no Brasil a água custa R$5,00 e um almoço normal custa R$25,00, evito gastar mais de EUR 7,50 em um almoço na Itália, para manter a mesma proporção.  Isso quer dizer que um almoço de EUR 20 é muito caro em relação ao que gastamos no Brasil. Calma, vou explicar.

Se o almoço vai custar EUR 6 e a água custa EUR 1, então você está com uma proporção de 6 para 1. Logo, se a água no Brasil custa R$5,00 e você quer manter essa proporção, tem que pensar que o almoço italiano sai em torno de R$30,00 ou EUR 7,50 (6×5 reais – proporção de 30 para 5 ou 6 para 1).

Deu para entender?

Esse pequeno truque é para quem quer viajar gastando bem pouco mesmo, que é o que normalmente fazemos. “Mas Mar, você está louca? Como vou gastar só EUR 6 por refeição na Itália??”

Bom, curiosamente, essa era a minha média financeira por refeição. Na verdade, às vezes eu ainda gastava menos, especialmente quando podia cozinhar, seja em casa, no Airbnb ou no hostel. Não precisa gastar só isso em todas as refeições, mas se você quer economizar, coma barato no almoço para poder comer algo mais caro na janta (ou vice e versa) e manter a média. Isso, claro, sem deixar de provar os pratos típicos e tudo mais que você quer experimentar!

Lembrando mais uma vez que eu uso esse calculo apenas para entender melhor as proporções de gasto de um país. Não é um método certeiro e muito menos avaliado. E claro, passível de erros.

Mas será que o ditado é verdade?

O que você tem que ter em mente e o que o ditado popular dos viajantes quer dizer, é que não adianta converter tudo o que for consumir para reais, pois nem sempre vai ser um valor possível de acordo com o custo de vida do país e o poder de compra daquela moeda.

Se você sempre converter, vai acabar pirando quando pensar que aqueles EUR 17 do Museu da Anne Frank em Amsterdam, por exemplo, equivalem a quase R$70,00. Aqui no Brasil dificilmente você pagaria R$70,00 para ir em um museu. Mas você tem que pensar o que você consegue fazer com EUR 17 na Holanda. A Holanda é um país de alto custo de vida, onde EUR 17 não tem o mesmo peso financeiro de R$70,00. Por isso, quem converte não se diverte. Com tantas conversões, no fim do dia você só pensou em dinheiro.

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Não vai ficar fora de dessa, né?

Quando não vale a pena MESMO converter

Você acaba de chegar em Roma. Quer conhecer o principal cartão postal da cidade, que é o Coliseu. Vai adiantar alguma coisa converter o valor da entrada em reais se aquela atração não existe em mais nenhum outro lugar do mundo?

As experiências não devem ser comparadas no real. O Brasil não tem um Coliseu, então não faz sentido fazer essa conversão e entrar em uma das mais famosas atrações do mundo pensando: “Meu Deus, como é caro isso em reais!” O mesmo vale para aquela garrafa d’água embaixo da Torre Eiffel. Se você está com muita sede e é a única água perto, então não se limite convertendo. Beba sua água e seja feliz!

Se não dá para vivenciar, experimentar ou comprar no Brasil, não gaste seu tempo fazendo uma conversão literal que não vai te acrescentar muita coisa.

DICA IMPORTANTE: Saiba o quanto você pretende gastar

Aqui vem o grande segredo da conversão (ou não) das moedas. Estabeleça um budget e saiba de antemão o quanto você pretende gastar em toda a sua viagem! Se você tem R$3500,00 para gastar em 10 dias na Europa fora a passagem aérea, por exemplo, então você tem 3500 / 10 dias =  R$350,00 por dia. Usando o câmbio de hoje que está cerca de R$4,00, você tem 233,33 / 4 reais = EUR 87,50 para gastar por dia.

Então saiba que terá que procurar um hostel e comer com EUR 87,50 por dia. Assim, saberá quais atrações são caras para você ou o quanto terá que economizar na hospedagem para visitar tudo o que quer.

Quando você já converte o seu gasto diário na moeda local, aí pode gastar sem se preocupar com o valor equivalente em reais. O que importa é se mantar dentro do budget.

E para importar produtos, como sei se vale a pena?

Na hora de comprar produtos para trazer para o Brasil com o objetivo de economizar, vale uma atenção extra. Temos um noção de que quase tudo que compramos no exterior sai muito mais barato que comprar no Brasil. Isso é verdade, mas com algumas ressalvas.

Antes de comprar o seu produto pense algumas coisas:

  • Eu encontro esse produto no Brasil? Tem alguma marca nacional que faz esse produto com qualidade similar?
  • Quando faço a conversão do valor (sim, aqui recomendo converter), ele sai realmente mais barato que no Brasil?
  • Vale encher a minha mala considerando a diferença de preço? Se não for muito grande, às vezes pode não valer o risco de pagar um excesso de bagagem, por exemplo.
  • Qual o custo/benefício dessa compra? O quão útil e o quão mais barato está esse produto que no Brasil?
  • Funciona corretamente no Brasil?
  • Tem assistência no Brasil?

Porque as perguntas ajudam

Estas perguntinhas vão te ajudar a calcular o benefício desta compra. Comprar por impulso pode ser uma grande perda de dinheiro e aquilo que você julgava necessário pode ser só mais uma “tralha” na sua casa. A primeira vez que fui nos Estados Unidos, voltei com tanta tralha que até hoje (quase 10 anos depois) tenho raiva de algumas compras que fiz. PORQUE COMPREI 2 CANECAS DA NBA? Eu nem assisto às competições de basquete!

Vou dar mais um exemplo que foi a compra de um telefone que fiz ainda esse ano. Eu tinha uma amiga de uma amiga (olha a trabalheira) voltando da Europa e eu estava pesquisando preços de telefones para que ela trouxesse um para mim. Já estava decidido, quando me deparei com uma promoção do mesmo telefone aqui Brasil. Sim, estou falando da maça.

A promoção era fantástica e quando fiz as contas, o custo x benefício de pedir uma amiga de uma amiga para trazer um telefone versus comprar o meu aqui por uma diferença proporcionalmente pequena não compensava. Acabei comprando aqui mesmo no Brasil, pois chegaria infinitamente mais rápido, a promoção era muito boa e eu ainda não ia precisar incomodar ninguém. Faça todas essas contas e calcule o seu custo X benefício.

Para saber se vale a pena importar produtos, se joga na conversão, adicione aquela pitada de IOF e compare com marcas nacionais. Além disso, entenda o uso do produto no Brasil. Não existe regra para nada, sugiro apenas não cair nas tentações consumistas sem ter um propósito e uma pesquisa por trás. Nada mais.

Como levar dinheiro para o exterior

Hoje o que não falta são opções de como levar o seu dinheiro para o exterior. Dinheiro em espécie, cartão pré pago, cartão de crédito, cartão de débito, Transferwise…

Agora que você já sabe a importância de pensar bem no custo de vida e na conversão, descubra também como levar dinheiro para o exterior. Nós já dedicamos um post completo aos prós e contras de cada forma. Além disso, demos algumas dicas e sugestões para facilitar e baratear a sua viagem! Confira o nosso post aqui:

Como levar dinheiro para o exterior


E você? Como costuma calcular seus gastos em moeda estrangeira?

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Sempre que saímos do Brasil, escutamos aquele ditado: "quem converte não se diverte". Mas será que vale a pena viajar se preocupando com essa conversão?

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Escrito por
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